26 SET 2017, terça-feira
 
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CASCAIS JOVEM

Trauma Psicológico



 

Falamos em trauma psicológico sempre que um acontecimento na nossa vida provoca algum tipo de dano emocional que se mantem duradouramente em forma de sofrimento psíquico.


O nosso cérebro e corpo (passo a redundância) estão preparados para nos proteger de ameaças, respondendo de forma imediata às mesmas, o que faz todo o sentido pois muitas das vezes a ameaça é tão grande e desenvolve-se tão rapidamente que não temos tempo para pensar conscientemente numa solução para o problema em que estamos envolvidos. Basta imaginarmos aqueles 2 passos que demos atrás, de forma automática, e que nos livraram de ser ceifados por um carro na estrada, ou aquela vez em que tirámos a mão e em questão de segundos caiu qualquer coisa em cima daquele espaço agora vazio. É de facto um automatismo necessário para a nossa adaptação e sobrevivência. Essas informações, sejam sensoriais (táteis, auditivas, oculares, etc.), emocionais (medo, pânico, etc.), ou fisiológicas (palpitações, tremores, sudação, dificuldade em respirar, etc.) ficam registadas no nosso cérebro de forma bastante intensa com o intuito de “aprendermos com a experiencia”, ou seja, ficam como uma espécie de aviso para termos mais cuidado para a próxima vez. Até aqui tudo bem, são apenas os mecanismos normais do corpo a fazer o seu trabalho.


O problema coloca-se quando a experiencia é tão intensa e dolorosa que o seu registo no cérebro acarreta uma exacerbação do medo que conduz, entre outras coisas, a um aumento generalizado do stress, afetando a forma como a pessoa interpreta o mundo e o seu comportamento. Nessa situação, uma pessoa fica mais atenta a todos os sinais de perigo (existentes e imaginados), tentando captar todos os sinais que possam indicar alguma semelhança com o trauma sentido por forma a não o repetir. O mundo, antes considerado um lugar seguro, é agora a fonte de todos os males e perigos. Em situações mais extremas, como as que acontecem com o chamado stress pós traumático, a experiência traumática é revivida, quer através de pensamentos recorrentes e intrusivos que remetem para a lembrança do trauma, quer através de flashbacks e pesadelos. Aparecem também sintomas de hiperexcitabilidade psíquica e motora, nomeadamente, taquicardia, sudorese, dificuldades no sono e de concentração, tonturas, dores de cabeça, entre outros. Fica fácil de perceber o forte impacto negativo que uma experiencia destas pode ter na vida de uma pessoa, levando muitas vezes ao aparecimento de sintomatologia depressiva, bem como de ataques de pânico e consequente evitamento de todas as atividades consideradas perigosas que, para alguém nestas condições, pode ser apenas o sair de casa, levando assim ao isolamento. Podia continuar a descrever os muitos sintomas associados ao trauma e as suas consequências mas penso que dá para entender o ciclo e o seu impacto na vida de alguém.


Embora associemos o trauma à vivência de uma tragédia, como por exemplo um acidente de automóvel, um atentado, uma guerra, há muitas outras situações em que o trauma pode ocorrer. Qualquer situação de abuso físico, psíquico ou sexual, é potencialmente traumatizante. Também uma perda pode ser traumatizante, como por exemplo a morte de ente querido, esperada ou não, o que pode ser observado por lutos que nunca se resolvem.


Por ultimo, e porque o texto já vai longo, é necessário dizer que muitos dos traumas desenvolvem-se em criança, muitas vezes sem os pais se aperceberem, e sem os próprios se lembrarem de alguma situação que os tenha colocado nessa posição. Isto deve-se sobretudo a experiencias que aparentemente não seriam causadoras de stress para um adulto, mas que para uma criança podem ter sido vividas com profundo terror e depois recalcadas (ou não). Situações como violência domestica (por vezes apenas verbal), bullying, um meio demasiado exigente, entre outras são apenas algumas que podem dar origem a traumas.


A psicoterapia é um meio comprovadamente eficaz para tratar o trauma, quer na sua forma clássica, quer em formatos recentes como a intervenção EMDR (Eye Movement Dessensitization Reprocessing) que é considerada como uma das técnicas mais rápidas e eficazes para desbloquear o trauma do sistema nervoso.

  


Ricardo Duarte

Psicólogo Espaço S

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